W.E.
14 setembro, 2011 1 comentários.

depois daquelas vezes todas teve a vez de uma sereia tão pequena para um mar de bolinhas de coca-cola, no sol de uma tarde que parecia manhã. teve leezão antes disso, laço em uma das sete cabeças do VHS, com café bem forte pra enxaguar a boca do gosto de hortelã de ontem.

as últimas vezes são às vezes na minha, às vezes nas suas, às vezes com rosa púrpura, com purpurina, mas sem cairo. teve almoço às sextas-feiras, às vezes de gravata, jantar ao amanhecer, às vezes café sem cafeína, sem cinema, sorvete ao sol, às vezes derretido, melancolia à sombra e a música do ano. teve autógrafo na televisão, teve um monte de gente da televisão deitada na cama do andy, sem madonna, e seis vezes em seis meses de pequenos vidros que brilharam no escuro, como monitores de plasma, de água do mar jogada de volta ao mar de volta ao mar de volta ao mar, águas profundas.

teve visitas semestrais, algumas vezes menos, algumas vezes mais. algumas vezes era só por telefone, disque m. agora tem vertigem na sala do apartamento cento e onze enquanto sean penn sapateia seus olhos azuis no apartamento onze. teve filme preto e branco e vontade de pegar um trem em tecnicolor, rumo a pleaseantville.

nós não íamos ao cinema de novo e não acho isso de todo mal, sabe? a gente sempre escolhe filmes cheios de dúvida, eu durmo de roupa e duvido quem nunca, são cabeças demais à frente demais, cabeças sem final demais. afinal, o cinema é mais como uma desculpa, às vezes, uma boa desculpa. e se não vamos mais tanto ao cinema, já não precisamos mais desse tipo de desculpa. talvez seja bom ver as outras vezes que não a vez do filme da vez, ou talvez fosse bom nós irmos mais ao teatro. sempre é bom só te ver e essas outras vezes sem cinema são, na realidade, a melhor ficção que se poderia imaginar. e embora tenham tido vezes das quais não me lembre de muito, eu lembro muito de você toda vez.

rebobine, por favor.

então teve a vez do anel no dedo em que assistimos ao filme do lado de fora, a vez que ficamos para fora e a vez que você foi ao cinema e eu não. teve a vez em que almoçamos juntos na grécia, e depois andamos muito para procurar uma carteira que eu não consegui encontrar. teve vasos e fios, e cafés e ciúmes antes disso. teve também a outra vez, com calamares marinados em que ficamos ilhados por mares calados. teve a vez em que viajamos de atenas para nova iorque em poltronas legais de couro sintético da primeira classe. teve a vez de muito calor e medo do que viria, até encontrarmos uma raspadinha premiada logo ali na esquina que vendia suco.

teve a vez que você ia embora de novo. e a vez que vimos de novo aquela juventude sônica passar. dessa vez juntos, mas ainda sem banquinhos de lontra. teve a vez que você estava cercada de muitos abraços, pendurando sombras gigantescas em pequenas paredes, com sapato de crocodilo e louvores. depois disso, teve um coquetel anual de parabéns e mais um ano com muitas crianças caminhando, linguagem do gesto e sinais de cansaço nas aulas de karatê. foi aí que a gravata começou a apertar, só percebi depois.

teve as duas vezes que nos dependuramos por dias em rodapés da sala e nem vimos quem entrava ou saia. teve aquela vez do clark kent metrossexual naquele ano novo fora de época que não tinha fim. o super-homem apareceu quando eu tive que engolir segredos ao invés de hambúrguer e teve a vez em que comemos uma porção de batatas à três.

teve a vez que te visitei com uma sombra do que estaria por vir.
e teve a vez que visitamos a isabella rosselini vestida de cortina azul.

a vez que quisemos ter um filho na califórnia, mas não nos deixaram por causa da censura indicativa. a vez em que atravessamos o canal da mancha a nado com memórias salgadas. teve a vez que você me deu um bolo, teve as vezes que eu dei bolo. você é um doce, e acho que por isso eu tenho medo quando esbraveja.

teve aquela vez que abandonamos o barco para tomar um lambrusco, e depois de ficar da cor do vinho, te acompanhei até o metro por caminhos que não tinham fim. e teve outra vez em que me perdi por um outro caminho sem fim, só para ver uma menina linda que comia listas telefônicas. minha sorte foi estar acompanhado por um coelho que deixava jujubas por onde passávamos.

teve a vez que eu quis tanto que você voltasse, e você voltou me trazendo um cavalo cintilante que morreu, mas continua a galopar em compassos esparsos. eu que primeiro te dei um cavalo cintilante, mas isso foi bem antes dessa vez, naquele dia que eu precisava que você me salvasse do perigo iminentemente prateado. eu lembro querer que você tivesse fitas cassete portáteis de alta fidelidade, me desculpe se elas não funcionaram muito bem. teve também a vez em que as pessoas eram estranhas, mas tinha um castelo nas índias, bollywood sem cinema, uma cara furada e uma veia saltada.

tiveram algumas outras vezes em meio a essas todas, em que houve uma mesma música que parecia la bamba, sobre um metrô que ainda não existia, com voz adocicada e café fraco que eu gosto. em uma dessas, fizemos planos para daqui a pouco na vitrola, e começamos a colocar os discos com cheiro antigo em ordem alfabética. a gente tem essa mania de fazer planos pra daqui a pouco um pouco depois. eu gosto deles, e da ordem alfabética.

teve a vez em que você quis casar com um pote de mostarda, e eu disse que estava enjoado de catchup. casar com a mostarda pode não ser fácil, embora seja saboroso. mas bom mesmo seria casar com o padre e comprar o enxoval em uma rede de fast-food chinesa.

teve a vez do meu parabéns com aquele verde-limão que você sabe que eu gosto, e acho que só gosto tanto desse verde para não entrarmos mais na discussão sobre o verde ser azul. sabe que eu sinto falta da nossa não concordância sobre a nomenclatura das cores, no fundo eu sei que você sempre tem a razão, e as cores numeradas que me faziam mal.

teve a vez de você no meu ombro triste, pela segunda vez, e eu não quero lembrar desta vez, daquelas pessoas altas naquele cabaret pretensiosamente francês, com gente dançando músicas aleatórias e muitos assobios. lembro, porque foi a vez em que eu disse i’m not leaving you, porque te amo.

teve a vez em que houve homens de plástico que queríamos fabricar, mas ao invés disso, os compramos pela internet e os levamos a um mesmo cinema que não existe mais. teve a vez em que voamos em uma lagosta inflável que nos dizia sobre um lugarzinho antigo aonde nós podemos ficar juntos.

teve a vez que fomos visitar uns desenhos que nos garantiram serem lindos, mas em meio de gente nem tanto, não os usamos e acabamos na esquina da raspadinha premiada, sem nenhum prêmio ainda.

teve a vez em que a lua estava tão bonita de novo, e dessa vez, a segunda, fui eu que a percebi. em ambas não houve uma vez de lua bonita ao seu lado, nossos amigos nos disseram sobre ela. nessa época já tínhamos amigos, mesmo ainda sendo um pouco contra eles.

teve a vez em que todas as verdades, até então, foram reveladas e eu tive medo de segredos que você agora sabe, e só você sabe como foi difícil descobrir que a chave deles estava sempre debaixo do carpete da escada. no andar de cima, dessa vez fui eu que chorei no ombro da zebra.

teve a vez em que eu fui a liz taylor e atrasei de novo.
teve a vez do gato que eu ainda não tenho, por medo do pulo.
teve a vez em que acordei cedo para ver uma exposição que não existia.
teve o dia que eu voltei, e você foi a primeira a estar comigo.

teve aquela vez que durou seis meses. e antes, teve a vez em que eu não disse adeus não sabendo que o adeus não dito iria durar tanto. durou tempo suficiente para saber não dizer mais adeus.

antes disso houve vezes em inglês, sometimes, with english tea que parecia água suja, curry digital que dava dor de barriga, câmeras obscuras de vigilância, faca e ermo. teve gente perdida na musica do metrô que demorava quase uma hora e meia para chegar, enquanto nós desenhávamos tijolinhos de cocô de beuys nas páginas de torneiras abertas, com jornais sensacionalistas e pés jogados nos bancos do vagão. teve ostras anexadas a camarões olhudos olhando para o pôr-do-sol em waterloo do segundo andar de qualquer ônibus. essas vezes pareciam uma roda-gigante de um olho só.

teve também aquela vez em que eu te dei um abraço de aniversário quase um mês depois. teve aquela vez que eu cheguei meio bêbado para um jantar na sua casa com um presente meia-boca, meio bobo das dificuldades de saber se meu problema tinha a ver com o pelo no ovo ou com a galinha. teve também a vez dos espelhos de máscara de coelho, com pisco-sour e pisca-pisca néon, de noite de friozinho gostoso, foi gostoso, foi brilhante como clara de ovo. tem o agora, que também é parabéns. e o depois de muitas outras vezes.

quer assistir ao filme novo da madonna comigo?





P.S.

os copos de bolinha viraram caco, mas não foi minha culpa, eu juro que não estava no roteiro. os cavalos estão guardados na prateleira, os cavalgo ainda, de vez em quando. não como mais coisas azuis, nem as verdes, mas ainda gosto muito do verde-limão. estou me conformando com a gravata e os enforcamentos e prometo não dar mais bolos. estou mais atento quanto aos atrasos, mas isso eu te digo em uma próxima vez.



20 junho, 2009 4 comentários.

tonight all those greens are turning blues.



anuncio #um.
28 abril, 2009 1 comentários.

precisa-se de um abalo sísmico, aqui dentro.



imersão.
11 março, 2009 2 comentários.

dispersos e indiferentes, sem saber qual direção, não veem o raio verde submergir em um mar de gente distante. então ocorrem novamente afogamentos, e os mesmos naufrágios de antes, de sempre, para que eu me perca só, mais uma vez. só mais uma vez em uma multidão vazia, imerso em uma imensidão de camadas flutuantes. ondas luminosas sobrepostas que vem e recuam. e se vão, se perdem na estiagem, levando projetos de viagem para o fundo, para sempre. projetos em vão.

afundo no seco, no vão vazio do banco da estação,
com meus muitos planos não concretizados e viagens sem ida.

o verão de partida me vê acabar como um raio sem cor em imersão.



delphine.
27 fevereiro, 2009 2 comentários.

não sei fazer planos de viagem, mas vou. repleto de expectativa e incertezas, sem bússola, sem hora e local. um anseio imóvel em trilhos sem para onde, receio. você não é só férias, e aonde nunca realmente importou enquanto você estava lá.

você foi e voltou sem volta.
eu espero, sem desespero, o próximo trem. sem planos ou hora, sem saber se ainda. e se ainda te vir nessa estação, você tão imprevisível com todos os seus planos de incertezas, vagando em um outro vagão, aposto que é somente acaso. talvez improvisaríamos com descaso um breve e imprevisto adeus de verão.

você é uma viagem de mais de um verão, sem ida. eu, partido de partidas, vou, mas te espero vagando pelas estações, por todos os verões tão vagos de você.

não vou fazer planos de viagem, mas me vou. e quem sabe, em alguma dessas todas estações, poderemos ver le rayon vert submergindo, sem verões, praias ou afogamentos.



fim do oito sem fim.
31 dezembro, 2008 3 comentários.

a última elipse do oito, um resíduo minguante de duas luas cheias, gêmeas siamesas. uma única luz tímida neste quase sempre céu negro, salpicado de pó de cinza. à espera de estrelas de artifício eclodirem, seria difícil não notar o reluzente arco solitário se reduzindo, predizendo o nove, novo, que está por vir. o porvir parece imperfeito e incompleto. o nove assimétrico, com uma ponta que amedronta; uma afronta ao oito.

oito infinito que hoje chega ao fim.

um ano que girou em torno de órbitas com eixos deslocados, no qual o céu foi partido em oito partes diferentes para que pudéssemos ver que, lá de cima, existem mais estrelas espalhadas pelo chão do que podíamos imaginar. estrelas colossais que irradiam mais intensamente do que qualquer outra. estrelas palpáveis que jamais irão estar em minhas mãos, mas se encaixam perfeitamente em uma centelha do olhar.

tivemos todas e nenhuma para comemorar. mas tivemos o que comemorar.

e depois de tantas reviravoltas ao percorrer as duas circunferências justapostas, depois de idas e voltas pelos oito continentes, voltamos diferentes a um novo começo. um começo que tivemos de aprender a admirar de novo, e torná-lo inesquecível como uma estrela morta que nos faz acreditar nela, ao ver seu brilho silencioso em um céu afônico. tivemos de apreender os astros com olhares inquietos, insaciáveis, mas sem frenesi ao devorarmos estrelas. e se antes, as buscávamos com fúria, hoje temos um banquete de pequenas constelações gigantescas, posto diante de nossos olhos.

um oito no qual couberam vários outros. outros ângulos de visão dos quais pudemos ver que o infinito sempre esteve lá. tivemos oito outros motivos para nos fazer acreditar que o infinito podia mesmo ser visto.

e este oito infinito ficou grande demais para deixarmos de devorar as estrelas com os olhos. mesmo sabendo que só nos restam estrelas artificiais.

champanhe, já é meia-noite.
as estrelas artificiais estouram, uma a uma. multicoloridas tingem o céu negro anunciando o final do oito. mas o final do oito são oito. são para sempre.
um princípio.
do fim.
do princípio.

uma reação em cadeia ocorre, iluminando o céu de infinitas tonalidades.
o oito se sobrepõe ao nove enquanto a supernova se espalha pelo céu.

o ano que não teria final, não se apaga.



02 dezembro, 2008 3 comentários.

ainda é estranho olhar para aquele mesmo antes como se fosse depois.



um brinde com taças de areia.
(ou a mão que abre mão de acenar)
14 junho, 2008 0 comentários.

o mar colide em meus pés.
traz na secura da maré alta, os vestígios da ausência oxidada.
inconsistente aço enferrujado.

últimas gotas espumantes de gosto férrico.
que levam nossos nomes até o horizonte, intangível.
mãos vagas percorrem cascos de navios naufragados.
os cacos de areia perfuram os pés.

embarcações, que de tanto se perderem nesse imenso mar.
fizeram-me notar que já eramos náufragos, mesmo antes de navegar.

ninguém a bordo.
brindemos à viagem inaugural, sem navios.
com inconsistentes taças submersas na areia.
que nunca transbordam.

o mar recua no vidro arenoso.
a terra é firme, eu não.



café solúvel.
12 abril, 2008 0 comentários.

uma nova dor noturna, semelhante àquela que me levou a tentativas de nunca mais dormir, mas menos espessa dessa vez. dissoluto onírico, antes consistente, se dissolveu no simulacro real, nessa realidade tão dissimulada, tão insossa e tão diluída quanto café sintético.

sonhei de novo.

sonhei amargo, mas sem gosto. sonhei, e de novo amanheceu com café, mas sem borra, e sem noites irreais fragmentadas em cacos rubros de porcelana vazia, escorrida pela negra manhã. sobrou-me apenas a água turva de pó solúvel e o amargo diluído, que alude à perda do paladar. insensibilidade sensorial que se estende, da língua para todas as extremidades epiteliais do corpo. cicatrizes irreversíveis de borra, em chamas, que deixaram a pele morta. a manhã é morna e estar acordado pouco importa.

costumávamos dizer que sonhos só são memoráveis quando são extremos e substanciais, mesmo que excessivamente amargos. costumava me utilizar da cafeína para permanecer em vigília, livre de alucinações reais em sonhos indissolúveis. o ardor da dor se dissipou na sobreposição das calosidades, decorrentes do descuido. os sonhos não possuem mais gosto algum quando caem sobre a pele, nem resíduos escuros que escaldam ao mínimo toque.

sobra-me a realidade, uma água suja.



falando sobre fernando e augusta.
18 janeiro, 2008 0 comentários.

estavam sentados, frente a frente, àquela mesma mesa circular onde o sempre parecia passar tão rápido. o mundo que girava depressa ao redor deles não era tão maior que o diâmetro da mobília que os separava. se parados naquelas horas, que durariam o tempo necessário para que fossem as melhores horas de suas vidas, a distância pouco importava. eles estavam no topo daquela torre de babel que os rodeava, em extremidades opostas, mas ainda perto um do outro, o que não os impedia de falar. e falavam.

ela falava com tenra nostalgia daquele antes, no qual seus amores gravados em rochas continentais nunca seriam afogados pela elevação do nível do mar. suspirava ao contrário, ao lembrar de desamores voláteis, lacrimejando com o vapor emanado que entrava em seus olhos. ela só queria fugir para algum lugar dentro de si e enfrentar a dificuldade do crescer sola e longe disso, mas perto daquilo tudo que estava bem diante dos seus olhos inundados. falava sobre se perder em lugares insólitos, para além desses oceanos, onde os idiomas eram tantos, tão fluidos, entretanto, todos se entendiam sem dizer verbos conjugados em um pretérito perfeito. ela temia aquele futuro do presente enevoado no qual sobrenomes pendurados em divisórias de concreto indicam um potencial inutilizado. e ela trocaria as sólidas paredes ocres de concreto para ser una chica almodóvar no filme daquelas idas e vindas pela calle melancolía, que eles costumavam chamar de vida. e falava das contas pendentes por verbalizar demais quando o que mais queria era não pagar para ser ouvida. e sabia que jamais seria olvidada mesmo que ele não mais a ouvisse. ela queria ver o novo de perto, ou de novo aquele longe, mas tinha saudade precoce do agora no qual se perdia, e que chamava de lar. ela falava sobre ir, enquanto ele...

ele falava em ficar, mas não para sempre, e sempre andar por pertos diferentes, mas tinha medo de andar sozinho por el bulevar de los sueños rotos. e, con ganas de llorar, falava sobre seus quase-amores que não queria esquecer e sobre navios gigantescos que afundavam como rochas naquele mar de esquecimento. suspirava demasiadamente ao contrário, mesmo sabendo que não deveria fazê-lo, e assim zelava à distância por quem nunca esteve tão perto, afinal, ele entendia muito bem a relatividade das distâncias, e de como o longe pode estar além da linha daquele horizonte curvilíneo da mesa à qual estavam sentados. ele se deixava conduzir pela linha de pensamento que ela citava de seus autores favoritos, e eram tantas as linhas que não cabiam em uma só prateleira da estante. ele a ouvia enquanto desatava os nós de suas linhas que se estendiam infinitamente através das barreiras de concreto. acreditava que a película inédita de suas vidas não teria uma narrativa linear, e cada cena poderia ser remontada se quisessem, mas sabia que se passaria naquela cidade, sabia quando e como começou, e também sabia a hora em que os créditos apareceriam dizendo sempre que filmes bons não possuem seqüência. ele falava da simplicidade do não que ele não sabia dizer, e também do nada ser tudo, e, mesmo quando não falava nada, ela entendia e ouvia seus verbos de um pretérito imperfeito e ressaltava tudo o que ele pensava não saber.

ela era a tradução do verbo naquelas frases.
ele pontuava as orações.

já não mais falavam nada quando tudo foi dito.
no silêncio das extremidades da mesa, foi ouvido:

“ya te extraño”



 
 
 

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